Gervinha
Módulo 4

Como o contador ajuda com rating e garantias?

Rating de crédito, tipos de garantia, FGO e FGI, e como melhorar o perfil de crédito do cliente.

O rating de crédito determina o spread bancário — a diferença pode representar 1 a 3 pontos percentuais ao ano. Para melhorar o perfil: eliminar negativações no CNPJ e CPF dos sócios, manter Liquidez Corrente acima de 1,2, entregar demonstrações pontuais com notas explicativas e usar FGO ou FGI como complemento de garantia (cobertura de até 80% da operação, prêmio de 0,5% a 2% ao ano).

O custo do crédito está diretamente ligado ao risco percebido pelo credor: quanto mais arriscada a operação, maior o spread. O papel do contador é ajudar o cliente a melhorar esse perfil de risco, reduzindo o spread pago e ampliando o acesso a linhas melhores.

O que é rating de crédito

Rating de crédito é uma avaliação padronizada do risco de crédito de um tomador — a probabilidade de que ele honre suas obrigações financeiras. Para grandes empresas e governos, ratings são atribuídos por agências especializadas (Moody's, Standard & Poor's, Fitch). Para empresas de médio porte, os bancos usam seus próprios modelos de rating interno (scorecards).

Escala típica de rating (varia por agência/banco):

  • AAA / Aaa: risco mínimo, custo de crédito mínimo
  • AA / Aa: risco muito baixo
  • A: risco baixo
  • BBB / Baa: risco médio (grau de investimento mínimo)
  • BB / Ba a CCC / Caa: grau especulativo, risco elevado
  • D: default (inadimplência)

Para PMEs, o banco usa um scorecard que pondera: histórico de pagamentos, tempo de relacionamento com o banco, índices financeiros, porte, setor, garantias oferecidas. A nota resultante determina o spread aplicado.

Impacto do rating no custo do capital: a diferença de rating pode representar 1 a 3 pontos percentuais ao ano no custo do crédito. Para uma empresa com dívida de R$ 1 milhão, isso é R$ 10.000 a R$ 30.000 por ano. Demonstrações financeiras bem estruturadas, entregues pontualmente, com notas explicativas claras, melhoram o rating — e reduzem o custo.

Garantias reais: imóveis, equipamentos, recebíveis

Garantia real é aquela que recai sobre um bem específico — o credor tem direito de executar o bem em caso de inadimplência, preferencialmente aos demais credores.

  • Hipoteca: incide sobre imóveis. A empresa hipoteca o imóvel ao credor; o imóvel fica com a empresa mas tem restrição de venda sem anuência do credor. Em caso de inadimplência, o credor pede a execução judicial do imóvel. Processo lento.
  • Alieanação fiduciária de imóvel: mais eficiente do que hipoteca. A propriedade fiduciária é transferida ao credor — o devedor tem a posse, mas o credor é o proprietário até a quitação. Execução em caso de inadimplência é mais rápida.
  • Penhor de equipamentos: maquinário e veículos podem ser penhorados. Menos eficiente que imóvel porque equipamentos desvalorizam e têm mercado secundário limitado.
  • Cessão de recebíveis em garantia: os recebíveis da empresa são cedidos ao credor como garantia. Se a empresa não pagar, o credor recebe diretamente dos devedores dos recebíveis cedidos.

Contabilização de garantias:

  • A empresa que oferece imóvel em garantia deve divulgar em notas explicativas: descrição do bem, valor contábil, valor de garantia, operação que garante.
  • Garantia real não altera o valor contábil do ativo — o imóvel continua depreciando normalmente. O que muda é a divulgação e a restrição de alienação.

Garantias fidejussórias: aval e fiança

Fidejussória é a garantia pessoal — uma pessoa (física ou jurídica) garante a dívida com todo o seu patrimônio.

  • Aval: garantia cambiária, dada em títulos de crédito (nota promissória, duplicata, cheque). O avalista responde solidariamente com o devedor principal — o credor pode cobrar diretamente do avalista sem precisar executar o devedor primeiro.
  • Fiança: garantia contratual, dada em contratos. O fiador tem benefício de ordem — o credor deve primeiro tentar cobrar o devedor principal. Mas o contrato de fiança pode renunciar ao benefício de ordem, tornando-o solidário.

Responsabilidade patrimonial: ao dar aval ou fiança, o sócio responde com seu patrimônio pessoal. Casa, carro, investimentos pessoais — tudo pode ser executado. Sócio casado em regime de comunhão parcial ou universal de bens pode comprometer o patrimônio do cônjuge, dependendo do tipo de contrato.

Orientação ao cliente: nunca dê aval sem entender o que está sendo garantido. Verifique o contrato: a garantia é limitada ao valor da operação ou é ilimitada? Tem prazo? Quais são os eventos que liberam o garantidor?

FGO e FGI — Fundo de Garantia para Operações

Um dos maiores problemas das PMEs no acesso ao crédito é a falta de garantia. O FGO (Fundo de Garantia de Operações) e o FGI (Fundo Garantidor de Investimentos) foram criados para resolver esse problema.

  • FGO: gerido pelo Banco do Brasil, complementa garantias em operações de crédito para micro e pequenas empresas. O banco concede crédito e o FGO cobre parte do risco (até 80% da operação, dependendo do programa). A empresa paga uma taxa pelo uso da garantia (prêmio do fundo), mas pode acessar crédito sem precisar de garantia real própria.
  • FGI: gerido pelo BNDES, funciona de forma similar para operações de investimento. Especialmente relevante para BNDES Finame e outras linhas de investimento.

Como funciona na prática: a empresa que não tem imóvel para dar como garantia vai ao banco credenciado, solicita a cobertura do FGO/FGI, paga o prêmio (geralmente entre 0,5% e 2% ao ano do valor garantido) e consegue acesso ao crédito. O prêmio encarece um pouco a operação, mas é muito menor do que não conseguir crédito ou pagar spread altíssimo por falta de garantia.

Como melhorar o rating de um cliente ao longo do tempo

Melhorar o perfil de crédito é trabalho de médio e longo prazo. O contador pode orientar ações concretas:

  1. Eliminar negativações: qualquer restrição no CNPJ ou CPF dos sócios deve ser resolvida antes de solicitar crédito. Protestos, inadimplências, dívidas ativas.
  2. Construir relacionamento bancário: empresa que tem conta em vários bancos mas sem produto de crédito em nenhum tem score mais baixo. Concentrar o relacionamento em 1 ou 2 bancos e usar produtos de crédito regularmente (mesmo que pequenos) constrói histórico.
  3. Melhorar os índices financeiros: liquidez corrente acima de 1,2; endividamento decrescente; EBITDA crescente. São movimentos que levam tempo mas que mudam o rating.
  4. Entregar demonstrações pontuais e auditadas: empresa que entrega demonstrações com atraso ou sem parecer de auditor (quando o porte exige) perde credibilidade junto ao banco.
  5. Manter certidões negativas: CND federal, estadual, municipal, FGTS e trabalhista devem estar regulares. Banco verifica certidões em toda análise de crédito.

Regras contábeis de garantias nas notas explicativas

O CPC 40 (IFRS 7 — Instrumentos Financeiros: Divulgações) exige que a empresa divulgue nas notas explicativas:

  • Descrição e valor contábil dos ativos dados em garantia
  • Condições associadas ao uso desses ativos
  • Natureza e valor de contábil dos passivos garantidos

Para empresas que buscam crédito expressivo, notas explicativas completas sobre garantias demonstram transparência e qualidade contábil — o que melhora a percepção do analista de crédito.

As informações deste conteúdo têm caráter educativo e não constituem consultoria jurídica ou fiscal individualizada. Consulte um profissional habilitado para análise do seu caso específico.

Perguntas frequentes — Como o contador ajuda com rating e garantias?

O que é rating de crédito para empresas?+

Rating é a classificação de risco de crédito de uma empresa, atribuída por agências como Moody's, S&P ou Fitch (grandes empresas) ou por sistemas internos dos bancos (PMEs). Vai de grau de investimento (baixo risco, taxas menores) a grau especulativo (alto risco, taxas maiores ou crédito negado). Para PMEs, o 'rating informal' do banco considera: histórico no SCR, índices financeiros das demonstrações, garantias disponíveis e relacionamento bancário.

Quais são as principais garantias para financiamentos empresariais?+

As garantias se dividem em reais (alienação fiduciária de imóvel ou equipamento, hipoteca, penhor de estoque ou recebíveis) e fidejussórias (aval ou fiança dos sócios). O FGO (Fundo Garantidor de Operações) e o FAMPE (via SEBRAE) complementam garantias quando a empresa não tem imóveis para oferecer. Garantias reais reduzem o custo do crédito porque diminuem o risco para o banco. O contador pode ajudar o cliente a estruturar a oferta de garantias de forma eficiente.

Como o contador pode ajudar o cliente a conseguir melhor crédito?+

O contador agrega valor ao processo de crédito em três frentes: organização das demonstrações financeiras (balanço e DRE claros e atualizados aumentam a credibilidade junto ao banco), cálculo prévio da capacidade de pagamento (evitar solicitar mais do que o EBITDA suporta), e identificação das linhas mais adequadas ao perfil (BNDES, fomento, capital de giro). Um contador que apresenta o cliente ao gerente bancário com documentação completa e análise prévia acelera muito a aprovação.

O que é alienação fiduciária e como funciona nas garantias?+

Na alienação fiduciária, a empresa transfere a propriedade do bem (imóvel, veículo, equipamento) ao credor como garantia, mantendo a posse e o uso. Se a dívida for paga, a propriedade retorna automaticamente; se não for paga, o credor executa extrajudicialmente — processo muito mais rápido que a hipoteca. É a garantia preferida dos bancos em financiamentos imobiliários e de equipamentos por esse motivo.

Dica pro quiz

Rating de crédito não é destino — é trabalho. Demonstrações bem preparadas, certidões regulares, relacionamento bancário consistente: isso muda o rating de um cliente em 12 a 24 meses.

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Pergunta 1 de 3

Qual é a diferença entre aval e fiança como garantias fidejussórias?

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