Gervinha
Módulo 2

Como montar a DRE conforme a NBC TG 26?

Compreenda os dois métodos de apresentação da DRE permitidos pelo CPC 26, a estrutura obrigatória de receitas e despesas, a Demonstração do Resultado Abrangente e como calcular e divulgar o EBITDA.

A DRE pode ser apresentada pelo método da natureza (despesas agrupadas por origem econômica, sem rateio) ou da função (CPV, despesas de vendas, administrativas — revela margem bruta, exige rateio). O EBITDA = Lucro Líquido + IRPJ/CSLL + Resultado Financeiro + Depreciação e Amortização, conforme Resolução CVM 156/2022, devendo incluir a depreciação embutida no CPV de empresas industriais. As três margens essenciais são: Bruta, EBITDA e Líquida.

A Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) evidencia a formação do resultado — lucro ou prejuízo — no período, partindo da receita bruta até o resultado líquido.

## Os dois formatos permitidos

O CPC 26 (R1) e a NBC TG 26 permitem dois formatos distintos para a apresentação das despesas operacionais: o método da natureza e o método da função.

Primeiro, no método da natureza as despesas são agrupadas conforme sua origem econômica — matérias-primas e materiais de consumo consumidos, custos de pessoal (salários, encargos sociais, benefícios), depreciação e amortização, perdas por impairment, outras despesas operacionais.

Esse método tem a vantagem de ser mais simples de elaborar porque não exige o rateio de despesas entre funções.

O SPED Contábil (ECD), especificamente o Registro J100, que corresponde à DRE referenciada ao plano de contas da empresa, segue o método da natureza quando a empresa utiliza o Plano de Contas Referencial da Receita Federal.

Segundo, no método da função (ou custeio por função) as despesas são agrupadas de acordo com a função que desempenham: custo dos produtos vendidos ou dos serviços prestados (CPV/CSP), despesas de vendas (comissões, marketing, logística de saída), despesas administrativas (pessoal administrativo, honorários, aluguéis, materiais de escritório) e outras despesas operacionais.

Esse método é mais informativo para os usuários externos por revelar a margem bruta, mas exige um sistema de rateio confiável.

O CPC 26 R1 item 99 determina que, quando adotado o método da função, a empresa deve divulgar nas notas explicativas informações adicionais sobre a natureza das despesas — especialmente o montante de depreciação e amortização e de custos de pessoal.

No Brasil, empresas de capital aberto e empresas com receita bruta anual acima de R$ 78 milhões são incentivadas — em alguns casos obrigadas pelo regulador setorial — a apresentar a DRE pelo método da função.

Ponto importante: a estrutura mínima obrigatória da DRE conforme CPC 26 R1 inclui, nessa ordem: receita bruta de vendas e serviços, deduções da receita bruta (devoluções e abatimentos, tributos sobre vendas — ICMS, PIS, COFINS, ISS, IPI quando aplicável), receita líquida de vendas e serviços, custo dos produtos vendidos ou dos serviços prestados, lucro bruto, despesas operacionais (vendas + gerais e administrativas + outras), resultado de equivalência patrimonial (receita ou despesa conforme CPC 18 R2), resultado financeiro líquido (receitas financeiras menos despesas financeiras — incluindo juros, variações cambiais, ganhos e perdas com derivativos), resultado antes do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro (LAIR), imposto de renda e contribuição social sobre o lucro correntes e diferidos, resultado líquido do período e, para companhias abertas, o lucro líquido por ação básico e diluído conforme CPC 41.

Terceiro, a Demonstração do Resultado Abrangente (DRA) complementa a DRE com os chamados outros resultados abrangentes (OCI — Other Comprehensive Income).

## Resultado abrangente (OCI e DRA)

O OCI reúne variações no PL que o IASB e o CPC determinam que não devem transitar pelo resultado do período: ajustes de avaliação de instrumentos financeiros disponíveis para venda (CPC 48), variação cambial de investimentos em entidades no exterior (CPC 02 R2), ajustes de hedge de fluxo de caixa e de hedge de investimento líquido em operação no exterior, e ganhos e perdas atuariais em planos de benefício definido (CPC 33 R1).

A DRA pode ser apresentada como uma continuação da DRE (uma única demonstração) ou como demonstração separada imediatamente após a DRE — ambas as formas são aceitas pelo CPC 26 R1.

Atenção: o resultado abrangente total = resultado líquido do período + OCI do período.

Quarto, o EBITDA (Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization), ou LAJIDA (Lucro Antes dos Juros, Impostos, Depreciação e Amortização), não é uma exigência do CPC mas é amplamente utilizado para avaliar a geração de caixa operacional antes do efeito do financiamento e das políticas contábeis de depreciação.

## EBITDA: fórmula e reconciliação

A fórmula básica é: EBITDA = Resultado Operacional (EBIT) + Depreciação + Amortização.

Na prática a reconciliação parte do lucro líquido: EBITDA = Lucro Líquido + IRPJ e CSLL + Resultado Financeiro Líquido + Depreciação e Amortização.

A Resolução CVM 156/2022 (que substituiu a Instrução CVM 527/2012) regulamenta o uso do EBITDA por companhias abertas no Brasil, exigindo: divulgação obrigatória de conciliação entre o EBITDA e o lucro líquido, com cada item de ajuste discriminado individualmente, e explicação qualitativa da metodologia adotada.

## Erros frequentes no EBITDA

Na prática: um erro frequente é calcular o EBITDA sem adicionar de volta a depreciação embutida no CPV.

Quando a empresa é industrial, parte relevante da depreciação de máquinas e equipamentos de produção está incorporada no CPV — se o profissional somar apenas a depreciação que aparece como linha separada na DRE e esquecer a depreciação no CPV, o EBITDA ficará subestimado.

Para calcular o EBITDA corretamente, é necessário somar toda a depreciação e amortização do período, independentemente de onde está classificada — nas notas explicativas há a abertura completa da depreciação e amortização por grupo de ativo.

Outro erro comum: tratar equivalência patrimonial como item operacional.

A equivalência patrimonial é, em essência, uma variação de investimento e não um resultado gerado pela operação da empresa — por isso muitas análises ajustam o EBITDA para excluir o resultado de equivalência patrimonial e apresentar um EBITDA da operação pura (EBITDA ex-equivalência).

## Como apresentar a DRE ao cliente

Na prática, ao apresentar a DRE para o cliente, o foco deve estar em três margens: margem bruta (lucro bruto sobre receita líquida) que revela a eficiência do processo produtivo ou de prestação de serviços, margem EBITDA que revela a geração de caixa operacional, e margem líquida que mostra o resultado final após todos os custos, despesas, impostos e efeitos financeiros.

As informações deste conteúdo têm caráter educativo e não constituem consultoria jurídica ou fiscal individualizada. Consulte um profissional habilitado para análise do seu caso específico.

Perguntas frequentes — Como montar a DRE conforme a NBC TG 26?

Qual a estrutura correta da DRE pelo método da função?+

Pelo método da função, a DRE parte da Receita Bruta, subtrai as deduções (impostos sobre vendas, devoluções) chegando à Receita Líquida, deduz o Custo das Mercadorias Vendidas ou Custo dos Serviços Prestados (CPV/CSP) para obter o Lucro Bruto, depois subtrai as Despesas por Função (Vendas, Gerais e Administrativas, P&D), chega ao Lucro Antes do Resultado Financeiro, adiciona/subtrai o Resultado Financeiro líquido, obtém o LAIR (Lucro Antes do IR), subtrai IRPJ e CSLL e chega ao Lucro Líquido.

O que é EBITDA e como calcular a partir da DRE?+

EBITDA (Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization) é o resultado operacional antes de despesas financeiras, impostos sobre o lucro, depreciação e amortização — mede a geração de caixa operacional. Calcula-se partindo do Lucro Líquido e somando de volta: IRPJ e CSLL, resultado financeiro líquido, depreciação e amortização. É amplamente usado para comparar empresas independentemente da estrutura de capital e da política de depreciação, e é o principal indicador em contratos de financiamento (covenant).

Qual a diferença entre DRE pelo método da natureza e pelo método da função?+

Pelo método da natureza, as despesas são agrupadas por sua origem econômica: matéria-prima consumida, salários, depreciação, serviços de terceiros — sem alocar às funções operacionais. É mais simples de preparar, pois não exige rateio de custos. Pelo método da função, as despesas são agrupadas por função: custo dos produtos vendidos, despesas de vendas, despesas gerais e administrativas. O CPC 26 exige que, se a empresa usar o método da função, deve divulgar nas notas a natureza das despesas (inclusive depreciação e salários por função).

O que é Resultado Abrangente Total?+

Resultado Abrangente Total é a variação no Patrimônio Líquido durante o período proveniente de transações não relacionadas com os sócios — engloba o Lucro Líquido do período mais os Outros Resultados Abrangentes (ORA). Os ORA incluem: ajustes de avaliação patrimonial de instrumentos financeiros disponíveis para venda, variação cambial de investimentos no exterior e remensurações de planos de benefícios definidos. O CPC 26 exige a apresentação do Resultado Abrangente Total na DRA (Demonstração do Resultado Abrangente) ou dentro da própria DRE.

Dica pro quiz

Ao calcular o EBITDA para um cliente industrial, lembre sempre de somar a depreciação embutida no CPV, não apenas a que aparece como linha separada na DRE. Uma fábrica com R$ 200.000,00 de depreciação no CPV e R$ 50.000,00 de depreciação administrativa tem EBITDA ajustado por R$ 250.000,00 de depreciação — ignorar os R$ 200.000,00 do CPV distorce significativamente o indicador.

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Pergunta 1 de 3

Conforme o CPC 26 (R1), qual é a principal diferença entre o método da natureza e o método da função na elaboração da DRE?

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