Como estruturar o plano de contas contábil?
Entenda a lógica do plano de contas, como estruturá-lo e adaptá-lo para cada cliente sem perder conformidade com as normas contábeis.
O plano de contas organiza-se em 6 grupos (Ativo, Passivo, Patrimônio Liquido, Receitas, Custos e Despesas) subdivididos em subgrupos e contas analiticas — as únicas que recebem lancamentos. O Ativo e Passivo dividem-se em Circulante (ate 12 meses) e Não Circulante. Para empresas obrigadas a ECD, o plano deve ser compativel com o referencial da Receita Federal. A NBC TG 1000 permite plano simplificado para PMEs não obrigadas a ECD.
O plano de contas como alicerce
O plano de contas é o alicerce de toda a escrituração contábil. Uma estrutura bem organizada facilita a geração de relatórios, a análise gerencial, o cumprimento de obrigações acessórias e a comparabilidade das demonstrações ao longo do tempo.
Um plano de contas mal estruturado, ao contrário, gera retrabalho, dificulta a análise e pode resultar em erros nas demonstrações e obrigações.
A hierarquia dos grupos
O plano de contas obedece a uma hierarquia de grupos. No nível mais alto estão os grupos:
- Ativo
- Passivo
- Patrimônio Líquido
- Receitas
- Custos
- Despesas
Cada grupo é subdividido em subgrupos que por sua vez se dividem em contas analíticas, que são aquelas onde os lançamentos são efetivamente feitos. As contas sintéticas são totalizadoras e nunca recebem lançamentos diretos.
O Ativo é dividido em Circulante e Não Circulante:
- No Circulante estão as contas que representam bens e direitos realizáveis no prazo de até 12 meses após o balanço, como caixa, bancos, contas a receber de curto prazo, estoques e despesas pagas antecipadamente.
- No Não Circulante estão o Realizável a Longo Prazo, com direitos exigíveis após 12 meses, e o Imobilizado, Intangível e Investimentos.
O Passivo também é dividido em:
- Circulante, para obrigações vencíveis em até 12 meses como fornecedores, salários a pagar, impostos a recolher e empréstimos de curto prazo.
- Não Circulante, para obrigações de longo prazo como financiamentos bancários de longo prazo e provisões.
O Patrimônio Líquido representa a diferença entre o total do Ativo e o total do Passivo, e é composto por Capital Social, Reservas de Capital, Reservas de Lucros, Lucros ou Prejuízos Acumulados e, quando for o caso, Ajustes de Avaliação Patrimonial.
Personalização por setor
A personalização do plano de contas para cada empresa cliente é necessária porque empresas de setores diferentes têm especificidades que o plano genérico não contempla:
- Uma empresa industrial precisa de contas de Matéria-Prima, Produtos em Elaboração e Produtos Acabados que uma empresa prestadora de serviços não usa.
- Uma construtora precisa de contas específicas para obras em andamento que seguem regras contábeis próprias.
O critério para criar uma nova conta analítica deve sempre ser a utilidade gerencial ou a exigência de alguma norma ou obrigação. Criar contas em excesso gera uma escrituração fragmentada e difícil de analisar.
Uma boa prática é revisar anualmente o plano de contas do cliente eliminando contas que não tiveram movimentação no exercício.
Normas: NBC TG 1000 e ECD
O Referencial Contábil das Pequenas e Médias Empresas, a NBC TG 1000, simplifica as exigências para empresas que não são de capital aberto e que não são de grande porte conforme a Lei 11.638/2007. Isso permite que escritórios que atendem pequenas empresas trabalhem com um plano de contas simplificado sem infringir as normas.
Para empresas obrigadas à ECD, o plano de contas deve ser compatível com o plano referencial da Receita Federal disponibilizado para validação no PVA da ECD.
As informações deste conteúdo têm caráter educativo e não constituem consultoria jurídica ou fiscal individualizada. Consulte um profissional habilitado para análise do seu caso específico.
Perguntas frequentes — Como estruturar o plano de contas contábil?
Quais são os grupos do plano de contas?+
No nível mais alto estão os grupos Ativo, Passivo, Patrimônio Líquido, Receitas, Custos e Despesas. Cada grupo se subdivide em subgrupos e, por fim, em contas analíticas, que são as únicas que recebem lançamentos. Contas sintéticas são totalizadoras e nunca recebem lançamentos diretos.
Quem é obrigado a seguir o plano referencial da Receita Federal?+
Empresas obrigadas à ECD (Escrituração Contábil Digital) devem ter plano de contas compatível com o plano referencial da Receita Federal disponibilizado para validação no PVA da ECD. Para empresas não obrigadas à ECD e enquadradas como PME pela NBC TG 1000, o plano pode ser simplificado sem infringir as normas.
Como personalizar o plano de contas para diferentes setores?+
O critério para criar uma nova conta analítica deve ser utilidade gerencial ou exigência de alguma norma. Empresa industrial precisa de contas de Matéria-Prima, Produtos em Elaboração e Produtos Acabados. Construtora precisa de contas específicas para obras em andamento. Criar contas em excesso gera escrituração fragmentada e de difícil análise.
Qual a diferença entre conta analítica e conta sintética?+
Contas analíticas são as folhas do plano de contas — as únicas onde os lançamentos são efetivamente realizados. Contas sintéticas são totalizadoras, agrupam contas analíticas e subgrupos, mas nunca recebem lançamentos diretos. Todo relatório contábil consolida os saldos das contas analíticas nas sintéticas correspondentes.
O Ativo e o Passivo devem estar sempre em equilíbrio?+
Sim. A equação fundamental da contabilidade é Ativo = Passivo + Patrimônio Líquido. O Balanço Patrimonial está sempre em equilíbrio por definição: qualquer lançamento que aumenta o Ativo deve aumentar o Passivo, o PL ou diminuir outro Ativo. Quando o Balanço não fecha é sinal de erro em algum lançamento.
Dica pro quiz
Plano de contas é a espinha dorsal da contabilidade. Uma conta mal criada contamina todos os relatórios que vêm depois.
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