Como fazer a conciliação bancária corretamente?
Passo a passo da conciliação entre extrato bancário e razão contábil — os itens que sempre ficam pendentes e como tratá-los corretamente.
A conciliacao bancaria compara o saldo do extrato com o razao contabil. A formula de conferencia e: saldo do extrato + depositos em transito - cheques nao compensados = saldo do razao. Os itens que mais geram divergencia sao cheques emitidos e nao compensados, depositos em transito, tarifas bancarias nao lancadas e creditos de clientes sem identificacao. Cheques nao compensados apos 6 meses devem ser revertidos como cheques prescritos (receita nao tributavel). Para empresas grandes, a conciliacao deve ser diaria via OFX ou API bancaria.
A conciliação bancária é o processo de comparar o saldo da conta bancária no extrato com o saldo da conta bancária nos livros contábeis — especificamente no razão da conta de caixa ou banco.
Em tese esses saldos deveriam ser iguais.
Na prática, quase nunca são exatamente iguais no dia da conciliação, e entender o porquê é o trabalho fundamental do contador.
Saber identificar cada diferença, classificá-la como normal ou problemática e tratá-la corretamente é o que separa uma conciliação bem feita de um balancete com saldo incorreto.
Os itens que causam divergências entre o extrato bancário e o razão contábil se dividem em dois tipos: os itens conciliadores normais, que representam diferenças temporárias e esperadas, e os itens problemáticos, que exigem correção.
Entre os itens normais, o primeiro é o cheque emitido e não compensado.
A empresa emitiu o cheque e registrou o débito no livro contábil, mas o beneficiário ainda não sacou no banco.
Nesse momento o saldo do banco é maior que o saldo do livro. É uma diferença temporária que se resolve quando o cheque for compensado.
O segundo item normal são os depósitos em trânsito: a empresa fez um depósito, registrou o crédito no livro, mas o banco só efetivou o crédito no dia seguinte ou depois de um fim de semana.
O saldo do livro fica maior que o saldo do banco por alguns dias.
O terceiro item são juros e tarifas bancárias: o banco debitou IOF, tarifa de manutenção de conta, tarifa de TED, cobrança de boleto — e a empresa ainda não lançou esses valores no sistema contábil.
O saldo do banco fica menor que o saldo do livro até que os lançamentos sejam feitos.
O quarto item são boletos a receber compensados: o cliente pagou o boleto, o banco creditou na conta da empresa, mas o sistema interno ainda não importou o arquivo de retorno do banco.
O crédito existe no banco mas não no livro.
O quinto item são TEDs e PIX recebidos sem identificação suficiente: o banco creditou um valor mas a empresa não consegue identificar o pagador nem a nota fiscal correspondente.
Esses valores ficam em uma conta transitória chamada informalmente de outros a classificar até que sejam identificados e lançados corretamente.
O processo passo a passo de uma conciliação começa pela exportação do extrato bancário do período — normalmente o mês completo — em formato impresso ou digital.
Em seguida, exportar o razão da conta banco do mesmo período no sistema contábil.
O terceiro passo é marcar os itens que aparecem em ambos, confirmando que estão conciliados.
O quarto passo é tratar os itens que aparecem apenas no extrato bancário: se são tarifas, juros, créditos de clientes ou outros débitos ou créditos do banco que ainda não foram lançados no sistema, lançá-los agora com a data de competência correta; se são cheques emitidos que ainda não compensaram, não há nada a fazer — eles já estão no livro e a diferença é temporária.
O quinto passo é tratar os itens que aparecem apenas no razão contábil: verificar se são depósitos em trânsito que o banco ainda não processou, cheques emitidos aguardando compensação, ou se houve erro de lançamento no sistema.
O sexto passo é a conferência final: saldo do extrato mais os depósitos em trânsito menos os cheques emitidos e não compensados deve ser igual ao saldo do razão contábil.
Se a equação fechar, a conciliação está correta.
Itens que exigem ação específica além do lançamento simples merecem atenção especial.
O cheque emitido há mais de seis meses e ainda não compensado precisa ser revertido: o cheque prescreveu, o beneficiário não pode mais sacá-lo.
O contador deve reverter o lançamento original de pagamento e registrar o valor como cheques prescritos, que é uma receita não tributável para fins de IRPJ.
Um débito no banco que ninguém da empresa consegue identificar exige investigação junto ao banco — pode ser uma tarifa nova, cobrança automática de seguro que foi contratado sem o conhecimento do departamento financeiro, débito indevido ou até fraude.
Enquanto não for identificado, lança-se como despesas a classificar.
Se o saldo do razão aparece negativo mas o extrato bancário é positivo, o diagnóstico mais provável é lançamento duplicado de crédito no livro, lançamento duplicado de débito que não ocorreu, ou omissão de um lançamento de crédito.
A periodicidade ideal da conciliação varia com o porte da empresa.
Para empresas grandes com alto volume de transações, a conciliação deve ser diária e automatizada via importação de arquivos OFX ou integração via API bancária.
Para empresas médias, a conciliação semanal é razoável e permite identificar problemas antes que se acumulem.
Para empresas pequenas, a conciliação mensal é o mínimo aceitável — mas tem um risco: quando a conciliação é feita só no fechamento do mês, divergências de 30 dias de transações precisam ser rastreadas, e encontrar um lançamento errado de três semanas atrás é muito mais trabalhoso do que encontrar o erro do dia anterior.
A maioria dos sistemas contábeis modernos — TOTVS, Domínio, Contábil, Questor — tem módulo de conciliação bancária que compara automaticamente os registros quando os arquivos de extrato são importados no formato OFX ou CNAB.
Quando o volume é pequeno e não há sistema com esse módulo, uma planilha com PROCV comparando os valores do extrato com os do razão resolve adequadamente.
A chave é ter disciplina para fazer a conciliação com regularidade e não deixar acumular pendências que depois viram um problema de fechamento.
As informações deste conteúdo têm caráter educativo e não constituem consultoria jurídica ou fiscal individualizada. Consulte um profissional habilitado para análise do seu caso específico.
Perguntas frequentes — Como fazer a conciliação bancária corretamente?
Como fazer a conciliação bancária passo a passo?+
Exporte o extrato bancário e o razão da conta banco do mesmo período. Marque os itens que aparecem em ambos. Trate os itens só no extrato (tarifas, créditos não lançados). Trate os itens só no razão (cheques emitidos aguardando compensação, depósitos em trânsito). Ao final: saldo do extrato + depósitos em trânsito - cheques não compensados = saldo do razão.
Com que frequência fazer a conciliação bancária?+
Para empresas com alto volume de transações: diária e automatizada via OFX ou API bancária. Para empresas médias: semanal, permitindo identificar problemas antes que acumulem. Para empresas pequenas: no mínimo mensal, mas quanto mais cedo após o fechamento do período, mais fácil rastrear erros. Conciliação acumulada de 30 dias é muito mais trabalhosa.
O que fazer com um cheque emitido há mais de 6 meses e não compensado?+
Cheques prescritos após 6 meses não podem mais ser sacados pelo beneficiário. O contador deve reverter o lançamento original de pagamento e registrar como Cheques Prescritos, que representa uma receita não tributável para fins de IRPJ. O suporte documental deve incluir consulta bancária confirmando a não compensação.
O que fazer quando um débito no banco não consegue ser identificado?+
Lance como Despesas a Classificar (conta transitória) enquanto investiga junto ao banco: pode ser tarifa nova, débito automático de seguro contratado sem conhecimento do financeiro, cobrança indevida ou até fraude. Nunca deixe contas transitórias acumulando saldo por vários meses sem investigação e classificação definitiva.
Quais sistemas facilitam a conciliação bancária?+
A maioria dos sistemas contábeis modernos (TOTVS, Domínio, Questor) tem módulo de conciliação bancária que compara automaticamente os registros quando arquivos OFX ou CNAB são importados. Para volumes pequenos sem esse módulo, uma planilha com PROCV comparando valores do extrato com os do razão resolve adequadamente. A chave é regularidade.
Dica pro quiz
Conciliacao bancaria parece simples mas esconde armadilhas. O saldo no extrato bancario quase nunca e igual ao saldo no livro — e isso e normal. O que nao e normal e nao saber explicar a diferenca. Cheque emitido mas nao compensado? Deposito em transito? Estorne o que for necessario, mas documente cada item da conciliacao com data e valor.
Teste seus conhecimentos
Um cheque emitido há 7 meses ainda não foi compensado pelo banco. Como deve ser tratado contabilmente?
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