Quando o Simples Nacional deixa de compensar?
Descubra os pontos de ruptura do Simples Nacional — quando Lucro Presumido ou Real se tornam mais vantajosos — com exemplos reais de cálculo.
O Simples Nacional deixa de compensar quando a carga tributária efetiva supera a do Lucro Presumido ou Real. Isso acontece tipicamente para empresas de serviços do Anexo V com faturamento acima de R$ 600 mil, empresas com margem de lucro muito alta no Presumido, empresas do Anexo III que perdem o Fator R e negócios com grande volume de créditos de PIS/COFINS que so aproveita no Lucro Real.
## Nem sempre o Simples é o mais barato
O Simples Nacional e muitas vezes apresentado como o regime mais barato para pequenas empresas, mas isso não é sempre verdade.
Existem situações em que o Lucro Presumido ou ate o Lucro Real resulta em menor carga tributária.
Vamos analisar os principais pontos de ruptura com números reais.
## Ruptura 1 — Anexo V sem Fator R
Ponto de ruptura 1: empresa de serviços do Anexo V sem Fator R.
Uma consultoria de engenharia com RBT12 de R$ 1,2 milhao e folha baixa (menos de 28% do RBT12) fica no Anexo V.
A aliquota efetiva nessa faixa (4.ª) e de 19,075% — R$ 228.900 por ano no DAS.
No Lucro Presumido, IRPJ (4,8%), CSLL (2,88%), PIS (0,65%) e COFINS (3%) somam 11,33% da receita, mas a comparação só vale com os mesmos tributos dos dois lados: faltam o adicional de IRPJ (R$ 14.400 a este nível de receita), o ISS (2% a 5%) e a CPP sobre a folha (cerca de 26,8%).
Com ISS de 2% e folha de 15% da receita, o Presumido fica em R$ 222.600 e ganha por R$ 6.300; com ISS de 5%, fica em R$ 258.600 e o Simples ganha por R$ 29.700.
No Anexo V a resposta depende de dois números da empresa: a alíquota de ISS do município (de 2% a 5%) e o peso da folha (a CPP de cerca de 26,8% sobre ela, que no Simples já está dentro do DAS).
Em cenários de ISS baixo e folha pequena o Lucro Presumido tende a ganhar; com ISS de 5% a vantagem inverte-se. É um cálculo que não se faz por regra geral.
## Ruptura 2 — margem de lucro alta
Ponto de ruptura 2: empresa comercial com margem de lucro muito alta.
Uma distribuidora com RBT12 de R$ 4 milhoes paga no Simples (Anexo I, 6.ª faixa) 9,55% efetivo = R$ 382.000 de DAS por ano — mas, acima do sublimite de R$ 3,6 milhões, esses 9,55% já NÃO incluem o ICMS, que passa a ser recolhido por fora.
No comércio, a comparação entre Simples e Lucro Presumido depende do ICMS, que varia por estado e por produto (e, acima de R$ 3,6 milhões de RBT12, já é recolhido fora do DAS) — é cálculo para fazer com a apuração real da empresa, não por regra geral.
Por isso a trilha não compara números aqui: um Presumido sem ICMS contra um Simples também sem ICMS, mas em regimes de apuração diferentes, não diz qual sai mais barato.
## Ruptura 3 — créditos de insumos
Ponto de ruptura 3: empresa industrial com grandes créditos de insumos.
No Lucro Real, a empresa pode aproveitar créditos de PIS/COFINS sobre insumos, energia eletrica, fretes e outros itens.
Se o volume de créditos for alto, o PIS/COFINS liquido no Lucro Real pode ser quase zero, enquanto no Simples a empresa paga a aliquota cheia sem aproveitamento de créditos.
Uma industria com R$ 2 milhoes de faturamento e R$ 1,2 milhao em insumos tributados teria crédito de PIS/COFINS de cerca de R$ 111 mil no Lucro Real — o que pode inverter completamente a análise.
## Ruptura 4 — o sublimite estadual
Ponto de ruptura 4: sublimite estadual de R$ 3,6 milhoes.
Empresas que faturam entre R$ 3,6 milhoes e R$ 4,8 milhoes continuam no Simples para tributos federais, mas recolhem ICMS e ISS pelas aliquotas normais estaduais e municipais.
Isso pode elevar significativamente a carga tributária efetiva.
Uma empresa de serviços em São Paulo com ISS de 5% mais a carga federal do Simples pode facilmente superar a carga do Lucro Presumido.
## Resumo: quando cada regime ganha
Em resumo, o Simples Nacional tende a ser mais vantajoso para: empresas comerciais e industriais nas primeiras faixas de faturamento (ate R$ 1,5 milhao), empresas de serviços do Anexo III com Fator R ativo, e empresas em setores onde o ISS municipal e alto (pois o Simples inclui o ISS na aliquota).
O Lucro Presumido pode ganhar para: empresas de serviços do Anexo V — conforme o ISS do município e o peso da folha —, empresas com alta margem de lucro e empresas próximas ao limite de R$ 4,8 milhoes.
Em qualquer caso, só se comparam números que incluem os mesmos tributos.
As informações deste conteúdo têm caráter educativo e não constituem consultoria jurídica ou fiscal individualizada. Consulte um profissional habilitado para análise do seu caso específico.
Perguntas frequentes — Quando o Simples Nacional deixa de compensar?
A partir de qual faturamento o Simples Nacional deixa de compensar?+
Não existe um valor único — depende do setor, da margem de lucro e da folha de pagamento. Para empresas de serviços do Anexo V sem Fator R, o ponto de ruptura com o Lucro Presumido costuma ocorrer entre R$ 600 mil e R$ 1,2 milhao de faturamento anual. Para comercio, o Simples tende a ser mais vantajoso ate próximo ao limite de R$ 4,8 milhoes. Para industria com grandes créditos de insumos, o Lucro Real pode ser melhor ja a partir de R$ 1,5 milhao.
Empresa de serviço de TI: Simples ou Lucro Presumido?+
Com Fator R ativo (folha acima de 28% do faturamento), a empresa de TI no Anexo III paga entre 6% e 14% efetivo no Simples, geralmente mais barato que o Presumido (que fica em torno de 11,33% para serviços). Sem Fator R, a empresa vai para o Anexo V (efetiva de 15,5% a 21,275%) e o Presumido quase sempre ganha. A virada acontece tipicamente quando a empresa de TI ultrapassa R$ 600 mil de faturamento e perde o Fator R.
O sublimite do Simples prejudica a empresa na faixa de R$ 3,6 a 4,8 milhoes?+
Sim, em muitos casos. Entre R$ 3,6 milhoes e R$ 4,8 milhoes de receita, a empresa continua no Simples para IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, mas paga ICMS e ISS pelas regras normais. Para empresas comerciais com ICMS estadual de 12% a 18%, a carga total pode superar o Lucro Presumido. E um ponto que exige simulação específica com os números da empresa antes de decidir.
Vale a pena sair do Simples para economizar imposto?+
Pode valer — mas a saida precisa ser planejada. A exclusao voluntaria so pode ser feita em janeiro do ano seguinte. A empresa precisa avaliar: diferença de carga tributária, custo das novas obrigações acessórias (SPED Fiscal, EFD-Contribuições, ECF, DCTF, etc.), necessidade de sistema contábil mais robusto e custo do contador para gestão do novo regime. Em muitos casos, a economia de imposto e consumida pelo aumento do custo operacional contábil.
Uma empresa com prejuizo deve ficar no Simples?+
O Simples calcula o imposto sobre a receita bruta, não sobre o lucro. Isso significa que mesmo uma empresa com prejuizo paga DAS. No Lucro Real, se a empresa tem prejuizo fiscal, pode ter redução ou ate isenção de IRPJ e CSLL. Portanto, empresas em fase de investimento pesado, com margem negativa ou com prejuizo recorrente, costumam se beneficiar do Lucro Real — que tributa o lucro efetivo, não a receita.
Dica pro quiz
Simples Nacional nem sempre e o mais simples para o bolso. Ja ajudei uma clinica medica a economizar R$ 80 mil por ano apenas migrando para o Lucro Presumido. O segredo e simular — nunca decidir na base do feeling.
Teste seus conhecimentos
Uma empresa de consultoria jurídica com faturamento anual de R$ 1,2 milhão e folha de pagamento baixa (menos de 28% do RBT12) está no Simples. Qual é a carga aproximada no Anexo V?
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