Quais setores ganham e perdem com a reforma?
Análise setorial dos efeitos da reforma na industria, comercio, serviços e agronegocio.
O setor de serviços e o mais impactado: sai de ISS de 2-5% para aliquota de 26,5%, mesmo com redução de 30% para profissoes regulamentadas. A industria tende a ganhar com a não-cumulatividade plena sobre cadeias longas. O agronegocio recebe aliquota reduzida de 60% e isenção para itens da cesta basica nacional. A construção civil mantem o RET com aliquota reduzida de 40%, e a Zona Franca de Manaus preserva incentivos específicos.
A reforma redistribui a carga tributária entre setores.
Quem hoje paga abaixo da média sobe; quem paga acima cai.
Vamos por setor com números concretos. **Indústria — em geral, ganha.** Cadeias produtivas longas (química, eletrônica, metalurgia, automotiva) sofrem hoje com efeito cascata: PIS/COFINS no fornecedor de insumo, depois ICMS na venda do produto intermediário, depois PIS/COFINS de novo no fabricante, depois ICMS na venda final.
Cada etapa carrega o imposto da anterior.
No IVA Dual, todo crédito é integral e elimina a cascata.
Estudo do CCiF estima redução efetiva de 1 a 4 pontos percentuais na carga industrial total.
Empresas com altos investimentos em ativo imobilizado (que hoje creditam PIS/COFINS em 48 meses) ganham crédito imediato — fluxo de caixa melhora.
Setores beneficiados: química, automotiva, eletroeletrônicos, têxtil, papel/celulose, alimentos processados. **Zona Franca de Manaus mantém incentivos.** A EC 132/2023 preservou explicitamente os benefícios da ZFM por meio de redução do IBS via Fundo de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (FDS) — efetivamente similar ao que existe hoje. **Comércio varejista — cenário misto.** Itens da cesta básica nacional (definida pela LC 214/2025) terão alíquota zero.
Outros itens essenciais (medicamentos, produtos de higiene, agricultura familiar) têm alíquota reduzida em 60%.
Produtos comuns vão pra alíquota plena (26,5% — estimativa superada; a Res.
CGIBS 14/2026 traz 27,91%).
Pra varejistas que vendem mix variado, o impacto líquido depende muito do produto.
Importante: o crédito amplo no IVA Dual permite varejistas creditarem tudo (aluguel da loja, energia, ar condicionado, software), o que hoje só se faz parcialmente no PIS/COFINS regime não-cumulativo. **Serviços — o setor mais impactado, com nuances.** Hoje, serviços pagam ISS de 2% a 5% (alíquota municipal) + PIS/COFINS regime cumulativo (3,65% sobre receita) = aproximadamente 6% a 9% de carga sobre o consumo.
Com a reforma, passa pra alíquota plena de 26,5% no regime padrão.
Mesmo com crédito amplo, o salto é grande pra prestadores com poucos insumos tributáveis (ex: consultoria pura, profissionais liberais, agências). **Profissões regulamentadas** — advocacia, medicina, engenharia, contabilidade, arquitetura, jornalismo — recebem **redução de 30% na alíquota** pela LC 214/2025, ficando em ~18,5%.
Ainda é aumento em relação ao ISS atual, mas suaviza o impacto.
Setores com insumos relevantes (TI/SaaS com hardware, agências de publicidade com mídia comprada, consultoria com viagens) sofrem menos porque o crédito ampliado compensa.
Estudos da FGV apontam que escritórios de advocacia médios podem ter aumento de carga de 5 a 10 pontos percentuais; consultorias de TI, 3 a 7; clínicas médicas, 8 a 15. **Agronegócio — tratamento favorável.** Produção primária (lavoura, pecuária, silvicultura) tem alíquota reduzida em 60% (ficando em ~10,6%).
Insumos agropecuários (fertilizantes, defensivos, sementes) têm alíquota reduzida em 60%.
Itens da cesta básica nacional (feijão, arroz, leite, ovos, etc.) ficam com alíquota zero.
Cooperativas agropecuárias mantêm regimes específicos previstos em lei complementar.
Setor sai com carga ligeiramente menor que hoje, principalmente nos elos primários. **Construção civil — RET preservado.** O RET (Regime Especial de Tributação) pra incorporações imobiliárias é mantido, com alíquota reduzida de 40% pra construção em geral.
Patrimônio de Afetação continua com regime próprio.
Imobiliárias e incorporadoras precisam recalcular VGV (Valor Geral de Vendas) e viabilidade de empreendimentos com a nova carga, mas o impacto não é catastrófico. **Setor financeiro — regime específico.** Bancos, seguradoras, cooperativas de crédito e administradoras de cartão têm regime financeiro diferenciado, regulamentado pela LC 214/2025: alíquotas reduzidas calculadas sobre o spread (margem financeira), não sobre receita bruta.
Mantém competitividade do setor. **Saúde — alíquota reduzida em 60%.** Planos de saúde, hospitais, clínicas e laboratórios.
Medicamentos com alíquota reduzida em 60%; alguns essenciais com alíquota zero. **Educação — alíquota reduzida em 60%.** Mensalidades de instituições de ensino regular, profissionalizante e cursos técnicos. **Resumo prático:** indústria, agronegócio e construção saem ganhando ou neutros.
Comércio fica neutro a levemente positivo.
Serviços profissionais sofrem aumento de carga significativo (mesmo com a redução de 30% das regulamentadas).
Saúde, educação e financeiro têm regimes próprios que mantêm equilíbrio.
Empresas em todos os setores precisam recalcular precificação produto a produto e revisar contratos de longo prazo que passam por 2027.
As informações deste conteúdo têm caráter educativo e não constituem consultoria jurídica ou fiscal individualizada. Consulte um profissional habilitado para análise do seu caso específico.
Perguntas frequentes — Quais setores ganham e perdem com a reforma?
O setor de serviços vai pagar mais imposto com a Reforma Tributária?+
Sim, o setor de serviços e um dos mais impactados negativamente. Hoje, serviços pagam ISS com aliquotas de 2% a 5%; com a reforma, a aliquota padrão sera de 26,5% (CBS + IBS) *(número desatualizado; a referência atual é 27,91%, Res. CGIBS 14/2026)*. Profissoes regulamentadas como advocacia, medicina e contabilidade terao redução de 30% na aliquota, mas ainda assim enfrentarao aumento substancial de carga em relação ao ISS atual. A não-cumulatividade plena atenua parte do impacto, mas não elimina o aumento para prestadores de serviços com poucos insumos tributados.
A Reforma Tributária e boa para a industria?+
Em geral, sim. A industria tende a ser beneficiada porque a não-cumulatividade plena elimina o efeito cascata que hoje onera cadeias produtivas longas. Setores industriais com muitos insumos tributados — como quimica, metalurgia e eletroeletronicos — devem ver redução efetiva de carga. A Zona Franca de Manaus mantem seus incentivos específicos, garantidos pela própria EC 132/2023, sem prejuizo para as industrias localizadas la.
Como a Reforma Tributária impacta o agronegocio?+
O agronegocio recebe tratamento favoravel na reforma: a produção primaria (agricultores e pecuaristas) tera aliquota de CBS e IBS reduzida em 60% em relação a aliquota de referência. Itens que compoe a cesta basica nacional terao aliquota zero. Além disso, a não-cumulatividade plena permite crédito de insumos agricolas, máquinas e fertilizantes, o que deve reduzir a carga real sobre o setor.
Como a Reforma Tributária afeta a construção civil?+
A construção civil tera regimes específicos previstos na reforma, incluindo a manutenção do RET (Regime Especial de Tributação) com aliquota reduzida de 40% em relação a referência. Incorporadoras e construtoras devem recalcular a viabilidade de empreendimentos considerando o novo regime, pois a passagem do PMCMV e outros projetos para o IVA Dual altera o custo tributário. A regulamentação de 2025 detalhou os regimes aplicaveis ao setor.
O que é a cesta basica nacional na Reforma Tributária?+
A cesta basica nacional e uma lista de alimentos definida por lei complementar que tera aliquota zero de CBS e IBS, ou seja, nenhum imposto sobre consumo. Inclui itens como arroz, feijao, carnes, ovos, leite e frutas selecionadas. A lista exata e definida por lei complementar aprovada em 2025, e o objetivo e garantir que alimentos essenciais não sejam encarecidos pela reforma.
Dica pro quiz
Serviços vao sentir o maior impacto. Hoje pagam ISS de 2-5%, depois vao pagar 26,5%. Mas calma — o crédito amplo pode compensar boa parte disso.
Teste seus conhecimentos
Qual setor tende a ser mais impactado negativamente?
Ficou com duvida?
O Gervinha pode explicar qualquer conceito deste modulo de forma simples e pratica.