Como funciona rescisão de gestante e afastado?
Os casos que estão fora da rescisao padrão — estabilidades, cálculos diferentes e como cada um impacta o FGTS e a multa rescisoria.
Gestantes têm estabilidade desde a confirmação da gravidez até 5 meses após o parto (art. 10, II, b, ADCT). Empregados acidentados têm estabilidade de 12 meses após o retorno do auxílio-doença acidentário. A rescisão antecipada de contrato de experiência pelo empregador gera indenização de 50% dos dias restantes (art. 479, CLT). Cada caso exige cálculo específico que difere da rescisão padrão.
Estabilidades protegem contra rescisão arbitrária
A CLT protege determinados empregados de rescisão arbitrária em situações específicas. A empresa que ignora essas proteções fica sujeita a pagar a rescisão em dobro, além de ter que reintegrar o empregado ou pagar indenização substitutiva pelo período de estabilidade. Conhecer essas regras antes de processar qualquer desligamento é parte essencial da rotina do departamento pessoal.
Estabilidade da gestante
A estabilidade da gestante é uma das mais importantes e mais desconhecidas na prática. Ela está garantida desde a confirmação da gravidez até 5 meses após o parto, conforme a Súmula 244 do TST e o art. 10, II, b do ADCT da Constituição Federal.
O ponto crítico: essa estabilidade vale MESMO em contrato de experiência. Se a empregada engravidou durante o contrato de experiência, o simples vencimento do prazo contratual não encerra o vínculo — a estabilidade prevalece. A empresa pode não saber da gravidez no momento do encerramento do contrato, mas a partir do momento em que é comunicada, a dispensa se torna ilegal.
O que fazer: se a empresa rescindiu sem conhecer a gravidez e depois foi comunicada, deve oferecer reintegração imediata ou pagar indenização substitutiva equivalente aos salários de todo o período de estabilidade. No cálculo da indenização substitutiva, o período relevante é do dia da dispensa até 5 meses após o parto. Se a gestante tem 4 meses de gestação ao ser demitida ilegalmente, ainda tem 5 meses de gestação mais 5 meses pós-parto pela frente — 10 meses de salários a indenizar, além das verbas rescisórias normais.
Estabilidade após acidente de trabalho
A estabilidade após acidente de trabalho está no art. 118 da Lei 8.213/91 e na Súmula 378 do TST: o empregado que teve acidente de trabalho reconhecido (com CAT — Comunicação de Acidente de Trabalho emitida) tem estabilidade de 12 meses após a cessação do auxílio-doença acidentário (benefício B91 do INSS). A empresa não pode dispensar durante esse período.
Um detalhe importante: a CAT deve ser registrada para qualquer acidente com lesão, mesmo que não haja afastamento. A omissão da CAT é infração e pode ser enquadrada como ocultação de acidente.
Contrato de experiência
O contrato de experiência tem regras próprias que diferem do contrato por prazo indeterminado em vários aspectos:
- Prazo máximo de 90 dias, permitida uma única prorrogação (o total dos dois períodos não pode ultrapassar 90 dias).
- Se a empresa deixa o contrato vencer sem renovar formalmente e sem rescindir, ele se converte automaticamente em contrato por prazo indeterminado, com todas as obrigações correspondentes.
- Na rescisão antecipada pelo empregador, a empresa deve pagar 50% dos salários correspondentes aos dias restantes do contrato (arts. 479 e 480 da CLT), além de saldo de salário, férias proporcionais com um terço e FGTS.
- A regra é bilateral: se o empregado pede demissão antes do vencimento, deve indenizar o empregador em 50% dos dias restantes — na prática isso raramente é cobrado, mas legalmente é uma obrigação.
Aviso prévio no contrato de experiência: há uma confusão frequente. No contrato de experiência, o aviso prévio não se aplica da mesma forma que no contrato por prazo indeterminado. Se a empresa rescinde antecipadamente, paga a indenização de 50% (não aviso prévio). Se o contrato chegou ao seu prazo natural sem rescisão antecipada, não há aviso prévio, apenas o pagamento das verbas rescisórias normais.
FGTS conforme o tipo de rescisão
- Em todas as rescisões sem justa causa (incluindo rescisão antecipada de experiência): multa de 40%.
- Em rescisão por justa causa: sem multa de FGTS.
- Na rescisão de gestante com indenização substitutiva: o FGTS continua sendo calculado normalmente sobre o período indenizado.
Auxílio-doença não acidentário e pré-aposentadoria
Para empregados em gozo de auxílio-doença não acidentário (benefício B31 do INSS), o contrato fica suspenso durante o benefício. A empresa pode dispensar, mas deve aguardar o retorno do benefício para processar a rescisão. Após o retorno, o empregado pode ser dispensado normalmente com aviso prévio e verbas rescisórias.
Muitas convenções coletivas preveem estabilidade pré-aposentadoria de 12 a 24 meses antes da data prevista de aposentadoria do empregado. O contador deve verificar a CCT da categoria antes de processar qualquer rescisão de empregado com longa data de admissão.
Checklist pré-rescisão
Para criar um processo seguro, o ideal é ter um checklist pré-rescisão que inclua:
- Verificação de gravidez (se não é aparente, solicitar declaração)
- Consulta a eventuais CATs abertas nos últimos 12 meses
- Verificação da data prevista de aposentadoria e da CCT
- Verificação de participação em CIPA, sindicato ou comissão de negociação
Essa verificação prévia evita passivo trabalhista que muitas vezes supera o custo de uma rescisão regular.
No eSocial, o evento S-2299 (desligamento) deve registrar o motivo correto. O código de motivo precisa refletir a situação real — usar o código errado cria inconsistências e pode gerar problemas em fiscalizações trabalhistas e auditoria do FGTS Digital.
As informações deste conteúdo têm caráter educativo e não constituem consultoria jurídica ou fiscal individualizada. Consulte um profissional habilitado para análise do seu caso específico.
Perguntas frequentes — Como funciona rescisão de gestante e afastado?
Gestante pode ser demitida durante o contrato de experiência?+
Não. A estabilidade da gestante vale mesmo durante o contrato de experiência. Se a empregada engravidou durante o contrato de experiência, o simples vencimento do prazo não encerra o vínculo — a estabilidade prevalece até 5 meses após o parto, conforme a Súmula 244 do TST e o art. 10, II, b do ADCT da Constituição. Se a empresa rescindir sem saber da gravidez e for comunicada depois, deve reintegrar ou pagar indenização substitutiva equivalente aos salários de todo o período de estabilidade.
Quais são as estabilidades trabalhistas que impedem demissão?+
As principais estabilidades são: gestante (da confirmação da gravidez até 5 meses após o parto); acidente de trabalho com CAT emitida (12 meses após a cessação do auxílio-doença acidentário B91); membro de CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes), da candidatura até 1 ano após o mandato; dirigente sindical (da candidatura até 1 ano após o mandato); e pré-aposentadoria (12 a 24 meses antes da data prevista, conforme a convenção coletiva da categoria).
O que é o benefício B91 do INSS e qual a estabilidade que ele gera?+
O benefício B91 é o auxílio-doença acidentário, concedido quando o afastamento resulta de acidente de trabalho reconhecido com CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho). Após a cessação do B91 e o retorno ao trabalho, o empregado tem estabilidade de 12 meses, período em que não pode ser dispensado sem justa causa. A empresa que demite durante esse período deve pagar indenização correspondente ao salário de todo o período de estabilidade restante.
O que fazer antes de demitir um funcionário para evitar passivo trabalhista?+
Antes de qualquer demissão, o checklist preventivo deve incluir: verificar se há gravidez (solicitar declaração se não for aparente); consultar CATs abertas nos últimos 12 meses no sistema da Previdência Social; verificar se o empregado é membro de CIPA, dirigente sindical ou está em período pré-aposentadoria pela CCT; e confirmar se o contrato de experiência ainda está em vigor e se há rescisão antecipada envolvida. Essa verificação prévia evita passivos que frequentemente superam o custo de uma rescisão regular.
O que é abandono de emprego e como proceder?+
Abandono de emprego é a ausência injustificada do empregado por período superior a 30 dias corridos, configurando justa causa pelo art. 482, i, da CLT. Para caracterizá-lo legalmente, a empresa deve: notificar o empregado por carta registrada com aviso de recebimento informando sobre a ausência e concedendo prazo para apresentação de justificativa; aguardar o prazo sem retorno; e então formalizar a rescisão por justa causa no eSocial. Sem a notificação formal, a justa causa pode ser contestada judicialmente.
Dica pro quiz
Rescisoes especiais são onde mais aparecem passivos trabalhistas supreendentes. Gestante em contrato de experiência tem estabilidade — a maioria das empresas não sabe disso e rescindem normalmente. Acidente de trabalho gera 12 meses de estabilidade. E rescisao antecipada de contrato de experiência tem multa dos dois lados. Não e opcional conhecer essas regras.
Teste seus conhecimentos
Uma funcionária em contrato de experiência descobre que está grávida. O contrato vence em 30 dias. A empresa pode encerrar normalmente o contrato no vencimento?
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